*Desafios a desigualdade socioeconômica persistdeente no Brasil*
O documentário “Ilha das Flores”, produzido por Jorge Furtado em 1989, retrata a vulnerabilidade econômica sofrida pela população brasileira. Externo a ficção, observa-se que a má administração dos recursos sociais potencializa a desigualdade socioeconômica no Brasil. Dessa forma, nota-se que a herança negativa da escravidão, a distribuição desigual à terra e a disparidade tributária prolongam a problemática. Tendo em vista o histórico escravista no Brasil, percebe-se que este problema se reflete até nos dias atuais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2022, a maior proporção de pessoas pobres no país tem se concentrado (34,5%) em pessoas pretas e pardas (38,4%). Tais dados expõem esse legado, visto que suas consequências trazem a existência dos sub-empregos, prostituição, falta de moradia, existência de favelas entre outros problemas. Além da escravização da população negra, a distribuição desigual das terras é outro fator significativo para a persistência da disparidade socioeconômica brasileira. Segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reformas Agrárias (Incra), cerca de 3% do total das propriedades rurais do país são grandes latifúndios e dominam 56,7% das terras agricultáveis. A presença dessas propriedades representa um grande obstáculo para o combate à pobreza, visto que os lucros de sua produtividade se direcionam aos donos dessas terras. Considerando o problema mencionado, a desigualdade tributária é apenas uma das suas ramificações. Segundo o pesquisador Marcelo Medeiros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o desequilíbrio social e monetário no Brasil está concentrado nos 10% mais ricos, os quais pagam uma quantia desigual de imposto de renda em relação à população mais pobre. Associada a isso, está a má gestão governamental, uma vez que não investe aos fins atribuídos: a educação, saúde e ambientes públicos. Sendo assim, a perversa distribuição de renda compromete a dignidade do brasileiro e o progresso do país. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Agricultura a criação de projetos de lei que incluam a distribuição de terras por meio de reformas agrárias e ao Ministério da Economia realizar a alteração dos impostos pagos pela alta sociedade. Desse modo, ocorrerá a diminuição de cenários como o de “Ilha das Flores” e haverá uma economia minimamente mais justa.
Autores da redação: Graziele Cardoso, Marisol Porto, Yasmim Barbosa.