*Desafios à democracia no Brasil: imprensa - parcialidade, poder e alienação populacional*
"A Ditadura Perfeita", dirigido por Luis Estrada, evidencia a fragilidade da democracia diante da influência midiática ao retratar o suborno da imprensa em benefício da reputação de um político corrupto. De modo análogo, no Brasil, a imprensa ultrapassa a função informativa e utiliza a influência para manipular a opinião dos cidadãos. Sob essa ótica, a presença de ideologias na mídia, o alto alcance de notícias falsas e a lacuna educacional agravam tal problemática. Diante da fragilidade da supremacia popular, a imprensa brasileira está sujeita a diversas influências e representa uma ameaça aos fundamentos democráticos. O grau de criticidade dessa situação evidencia-se em episódios tais como o de 2016, no qual órgãos de comunicação violaram os princípios do jornalismo imparcial, ao demonstrar clara inclinação a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Dessa forma, a parcialidade presente nos meios de informação distorce a verdade e exercem influência sobre os eleitores, impactando negativamente o cenário democrático. Acresce à parcialidade informacional, a divulgação de notícias falsas pelos meios de informação, com alto alcance, devido à tecnologia. Na esfera política o índice de informação enganosa atinge níveis preocupantes, com 76% da população brasileira exposta à notícias falsas, conforme pesquisa do Senado Federal em 2023. Dessa forma, o elevado acesso à informações sem veracidade comprovada fere o processo eleitoral brasileiro, sobretudo, minam a confiança dos candidatos para o pleito da candidatura que os destinam. Somada a propagação de informação enganosa, a falta educacional facilita a manipulação da visão política da sociedade brasileira. Conforme a perspectiva do educador Paulo Freire: “A educação sozinha não transforma a sociedade, mas sem ela tampouco a sociedade muda”. Nesse sentido, a lacuna no sistema de ensino no Brasil aponta a carência de senso crítico entre os cidadãos, essa situação os torna propensos à manipulação e suscetíveis à influência da desinformação. Assim, a educação destaca-se como um baluarte fundamental de proteção às ameaças de falácias. Frente a negativa informacional, urge a necessidade de combater esse problema. Para tal, cabe ao Ministério das Comunicações regulamentar de forma efetiva a mídia, por meio de investigações e punir os infratores desses veículos midiáticos, bem como desenvolver projetos educacionais para reduzir a alienação popular. Dessa forma, será possível minimizar cenários semelhantes ao retratado no filme “A Ditadura Perfeita”.
Autores da redação: Jean Gabriel, João Victor Santana, Júlio Cesar Azevedo.