*Desafios à escalada da violência escolar no Brasil.*
O filme “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, retrata a vida de um adolescente que por enfrentar problemas familiares e psicológicos, assassina os colegas de classe. De forma análoga, no Brasil, as vítimas da incidência de casos de violência nas escolas não são só alunos, mas também professores e demais funcionários da instituição. À vista disso, essa problemática reflete-se pela negligência parental, pela exposição a conteúdos violentos na internet e pelas desigualdades socioeconômicas. Neste contexto, a ausência de ensinamento dos valores sociais aos jovens e a exposição a violências físicas ou psicológicas dentro do contexto familiar ocasiona na reprodução de comportamentos agressivos na escola. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Paraná, afirma que cerca de 78% das ações executadas por crianças são reflexos da educação parental. Posto isso, nota-se que geralmente, a prática de atos violentos contra colegas ou professores é reflexo dos abusos vivenciados no ambiente familiar desses estudantes. Além disso, o uso de aparelhos tecnológicos para o consumo de conteúdos violentos ou inapropriados pode causar desequilíbrios emocionais e comportamentais em crianças e adolescentes. Segundo o educador e psicoterapeuta Leo Fraiman, os jogos, desenhos e filmes que estão presentes no cotidiano de jovens banalizam a morte, a violência e criam uma indiferença ao outro e a si mesmo. Isso evidencia os malefícios da exposição de crianças a mídias que propagam violência que elas reproduzem aquilo que veem na Internet. Somado ao fato supracitado, a desigualdade socioeconômica agrava a problemática, pois escolas localizadas em áreas economicamente desfavorecidas são mais propensas à indisciplina e à violência. À luz disso, em 2022, um aluno com uma arma atirou em três estudantes da Escola Estadual Professora Carmosina Ferreira Gomes, em Sobral, no Ceará. Nota-se que os estudantes não só enfrentam a infraestrutura precária e carência de recursos pedagógicos, como também a falta de oportunidades geradora de sentimentos de revolta e exclusão. Diante do aumento da violência escolar no Brasil, é necessário que o Estado, por meio do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, introduza centros de acompanhamento psicológico nas escolas com o objetivo de prevenir possíveis comportamentos agressivos ocasionados pelo desequilíbrio emocional de crianças e adolescentes. Logo, essa medida minimizará o cenário de violências escolares no Brasil e prevenirá cenários mais graves como o relatado no filme “Precisamos Falar Sobre o Kevin”.
Autores da redação: Darah Emanuele, Jadiel Oliveira, Lívia Lima