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Desafios à sub-representação feminina na política

Podres poderes na política

ㅤㅤNo livro “Torto Arado”, o escritor Itamar Vieira aborda a luta de mulheres brasileiras por direitos, a resistência e o protagonismo nas dinâmicas coletivas no campo. Análogo à ficção, no cenário político, a luta feminina expõe o machismo estrutural pela imposição do mando a todo custo. Esta hegemonia delimita números desiguais de candidaturas a estes gêneros, delega às mulheres subcategorias em cargos políticos e as exclui de se inserirem nesse espaço, ao negociar candidaturas “laranjas” de mulheres nas esferas partidárias municipais.
ㅤㅤEssa sub-representatividade feminina, no parlamento brasileiro, advém da disputa desigual de cargos. Em pleno século XXI, a Lei no 12.034/2009, estabelece 30% de mulheres nas candidaturas políticas. Como agravante, o país ocupa a 142a posição no quesito participação feminina na política, com apenas 15% de cadeiras na Câmara dos Deputados e menos de 13% no Senado Federal. Esta realidade se fortalece por não haver manifestações de grupos femininos com partidos políticos próprios contra tal realidade. Neste contexto, vê-se a linguagem própria de “mandos, posses” e de autoridades com seus “caciques” por cada estado de federação.
ㅤㅤNesse cenário de entraves, a recusa frequente em conceder cargos de presidência a mulheres reitera o machismo enraizado e inserido em todos os setores públicos. E a ínfima participação feminina na política fortalece a resistência masculina à eleição de mulheres para cargos mais altos. De acordo Marília Ferreira, muitos desses preconceitos fundamentam-se emestereótipos que reforçam a natureza feminina como não preparada para os exercícios de cargos públicos, em especial cargos de decisão. Essa divisão hierárquica reforça estereótipos de gênero, e subestima a capacidade feminina de alcançar cargos de liderança e de influência.
ㅤㅤPor conseguinte, as mulheres enfrentam comumente candidaturas de fachada, destinadas apenas a cumprir a cota de gênero, o que mina os esforços para alcançar a igualdade de gênero na esfera política e compromete a integridade do sistema democrático. Segundo Jorge Mussi, sem as candidaturas laranjas, os partidos não conseguiriam cumprir as exigências necessárias para participar do pleito, portanto, todo o conjunto de candidatos acabou sendo beneficiado. Tamanhos episódios desviam o foco da representatividade feminina e perpetua a desigualdade de gênero na política brasileira.
ㅤㅤ Diante as disparidades de gênero radicadas no âmbito político, evidencia-se a necessidade de reverter tal cenário. Logo, cabe ao Governo Federal junto aos órgãos responsáveis, reestruturar a Lei 9.100/95, afim de promover maior fiscalização das cotas de gênero e fomentar ações afirmativas que fortaleça a representatividade política feminina. Dessa maneira, será possível extinguir a distopia evidenciada pelo livro “Torto Arado”.


Autores da redação: Juliana Pereira Santos e Pedro Henrique Cotrim de Castro