Desafios à exploração trabalhista na sociedade contemporânea no Brasil.
Não sois máquinas, sois humanos
A obra “O Capital", dos autores Karl Marx e Friedrich Engels, aborda a luta de uma classe explorada contra
uma classe de exploradores. Análoga a esta teoria, a realidade brasileira expõe o acúmulo de capital dos patrões
sustentado na exploração de trabalhadores e na manutenção da desigualdade social. Tal situação potencializa a
servidão, intensifica a produção em massa e gera o aumento de transtornos psicológicos por ausência de
descanso.
Um cenário perverso, cujos trabalhadores se sujeitam e permanecem em empregos indignos para garantir a
sobrevivência. Dados do Ministério do Trabalho apontam que o Brasil registrou, em 2023, 3.422 acusações de
trabalho escravo e análogo à escravidão, o maior número de denúncias da história do país. Desse modo, notam-
se que, em especial latifundiários, usufruem da força de trabalho de muitos indivíduos e lhes pagam baixas
quantias. Boa parte desses subempregados não possui nível de escolaridade, e a desinformação sobre das leis
trabalhistas os faz realizar atividades de muito esforço físico, desenvolvidas sob condições degradantes e, em
geral, com jornadas exaustivas.
Como processo resultante dessas condições desumanas, há a produção em massa, de bens materiais, em
geral, sem a atenção do trabalhador. Nesta ótica, exemplos como a precarização, terceirização e informalidade
predominam o mundo do trabalho brasileiro. Grande contingente da classe trabalhadora brasileira já vivencia
historicamente modalidades como estas no mercado de trabalho. Todavia, é fácil indicar que as formas atuais de
precarização ampliam ainda mais esse processo, imprimindo aos trabalhadores mais pobreza, exploração e
desemprego, uma vez que muitos destes encontram-se totalmente desprovidos de direitos do trabalho.
Ainda, em 2024, os detentores do poder econômico ainda priorizam a intensa produção sem considerar os
limites humanos. Com isso, os problemas físicos e psicológicos surgem e negativam o desempenho do
funcionário. De acordo com o Portal do Governo Brasileiro em 10 de janeiro de 2024, os transtornos mentais
relacionados ao trabalho têm crescido e afetado a população ativa. Esse mal advém do desgaste emocional e da
desmotivação para operar o intenso volume de trabalho. Desse modo, a exigência em produzir, em longas
jornadas, e o não se atentar aos problemas dos empregados, resultam em inúmeros casos de depressão e
suicídio.
A força de trabalho excessiva enriquece o empresário às custas da desigualdade e adoecimento do
empregado. Logo, cabe ao Ministério do Trabalho assegurar a fiscalização efetiva das leis trabalhistas, por meio
de monitoramento e ampliação de sistemas tecnológicos. Ademais, urge criar mecanismos de proteção para
trabalhadores submetidos a rotinas extensas, a fim de lhes garantir condições dignas de trabalho e, por extensão,
promover a saúde física e mental. Dessa forma, o cenário de menos valia do esforço humano exposto no livro “O
Capital” se adequará aos níveis constitucionais danação.
Autores da redação: Ana Lívia dos Santos Moura, Joice Santana da Silva e Maria Luiza Lima Pereira.
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