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Desafios à persistência do racismo no esporte brasileiro.

Desafios raciais no esporte.

Na obra “Desculpas, Meu Ídolo Barbosa”, o escritor Jorge Santana narra a violência racial sofrida pelos jogadores negros de futebol da seleção brasileira, após uma derrota em 1950. Décadas após, mesmo sendo um território miscigenado e o berço de atletas de elite, a chaga do racismo ainda persiste no Brasil. Desse modo, para combater este quadro, é crucial analisar a marginalização do negro no esporte, a continuidade do racismo estrutural e a impunidade da violência racial.

Em primeira análise, a marginalização do negro no esporte é um fator determinante para a continuidade da mazela. Nesse sentido, o jornalista Mário Filho, em sua obra "Negros no Futebol Brasileiro" ressalta a importância da representatividade e da valorização da diversidade racial no esporte ao destacar a contribuição significativa dos jogadores negros para o futebol brasileiro. Dessa forma, a segregação e sub-representação dos negros em equipes desportivas precariza a ascensão dos atletas e reforça as desigualdades étnicas no país. Logo, promover uma representação de atletas negros é fundamental para criar um ambiente igualitário no esporte, além de gerar reflexos positivos para outras áreas da sociedade.

Ademais, a permanência do racismo estrutural no país é um agravante para a problemática. Nesse sentido, o escritor Abdias do Nascimento, em “O Genocídio do Negro Brasileiro”, defende que o racismo é uma mazela institucionalizada, pois está enraizado nas estruturas sociais, culturais, políticas e econômicas do Brasil. Dessa forma, a relação de exclusão com base na cor da pele se reflete em todas as esferas da vida, inclusive nos ambientes de trabalho, nas universidades e no cenário esportivo brasileiro. Em vista disso, é essencial enfrentar o racismo estrutural, em todos os âmbitos, para garantir uma sociedade equitativa.

Além disso, a impunidade da violência racial no país corrobora a mazela. Nesse contexto, o expoente geógrafo Milton Santos, em “Ser negro no Brasil hoje”, afirma que o negro no Brasil é alvo de um olhar enviesado, visto que “a chamada boa sociedade parece considerar que há um lugar predeterminado, lá embaixo, para os negros e assim tranquilamente se comporta”. Com isso, o escritor responsabiliza a naturalização populacional e a não coibição de atitudes racistas pelo enfraquecimento do efeito coercitivo das leis antirracistas no país. Nessa perspectiva, é vital combater a banalização do racismo em diversos espaços brasileiros, como o espaço desportivo.

Em suma, para reverter o quadro de persistência do racismo no esporte brasileiro, é necessário combater os vestígios de preconceito no país. Dessa maneira, urge que o Poder Legislativo crie políticas públicas para garantir a igualdade no país, por meio do resgate das vítimas de injúria racial, inclusão em ambientes equitativos e responsabilização e punição dos agressores. Assim, nos alicerces do esporte, forma-se uma sociedade cada vez mais democrática, respeitosa e inclusiva.


Autores da redação: Maria Julia, Maria de Lurdes e Eliziário Neto

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